Morganinha Manoela

Quando Deus se cala – acredite! – Sua Onipotência grita.
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Não seria fantástico se o Dono do Universo falasse tanto quanto uma criança de três anos? 
Agora, pense em quantas vezes você esperou um feixe de luz atravessando o céu nublado? Ou o menor sussurro quebrando o silêncio digno de uma sepultura? Por que o Criador vira e mexe emudece perante suas criaturas? E quem não pagaria fortunas por uma mera sílaba do Pai do Céu? O que sinceramente me incomoda não é a regência dEle, mas a invisibilidade de Sua batuta. Jacó, João Batista, José, Noé, e até mesmo Jesus, todos experimentaram algum clamor não respondido. O que dizer dos sete dias da arca fechada sob céu de brigadeiro? Ou o sonhador escravizado no Egito dos pesadelos? E as gotas de sangue divino suadas humanamente sobre um jardim traiçoeiro? Se sofrer dói, não ouvir mais nada é como jogar ácido na ferida da fé.
Eu sei o que é isso. Você também sabe. A questão emblemática é: e quem assume? Fácil é citar promessas decoradas, difícil é se sustentar em pé quando se rompem as muletas. E o cristianismo com seus cristãos seguem adiante a despeito de uma inexplicável mudez de seu Personagem Principal. Por quê? Resposta óbvia:eu prefiro crer mesmo no aparente silêncio divino a morrer no abandono declarado deste mundo sem pé nem cabeça. Se não entendo as razões do presente, nada será capaz de arrancar a minha esperança no futuro.
Ok! E onde fica o Todo Poderoso neste impasse? No mesmo lugar de quando deu um “chega pra lá!” em Jó ao perguntar: “Ei! Onde você estava quando EU lançava os fundamentos da Terra?” (Jó 38:4). E no surpreendente “esconderijo do Altíssimo” com suas portas abertas nos convidando para habitar (Salmos 91:1). Longe de ser fácil, ainda assim é o único local garantido capaz de sustentar nosso coração eterno embrulhado nesta carcaça mortal. Se Ele decide não falar, que nossos ouvidos agüentem o tranco! Porque jamais o Pai dilacerado por Seu Filho sacrificado viraria Suas costas àqueles que provocaram os céus irem aos extremos do inferno.
Por isso, não duvide às escuras daquilo que lhe foi garantido às claras. Quando Deus se cala – acredite! – Sua Onipotência grita. Mesmo que sejam com Suas ações supersônicas ultrapassando nossa capacidade humana de imediata percepção. Entenda que Ele não está parado, apenas assumiu uma velocidade ininteligível quebrando a nossa barreira de som.
Escrevo isso porque eu tenho minhas angústias não respondidas. Você também tem direito à luta com suas unhas e dentes. E uma criança de 3 anos pode falar o que vier na cabeça. Afinal, humanos interpretam tudo como sua própria humanidade. Mas tudo isso vai passar! Até aquele Grande Dia – quando o silêncio de um olhar responderá todas as nossas inquietudes. Não será necessária mais palavra alguma. Tudo estará perfeito novamente. E suspiraremos reconhecendo nossa tamanha limitação perante Seu infindável poder de resolver tudo.
Ele, mergulhando-nos num abraço indescritível, voltará Sua face perto do nosso ouvido e sussurrará – talvez pela primeira vez – a frase inaugural da eternidade:
Que bom que você agüentou – seja bem vindo!
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